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UM ANO DE AÇO
Indústria brasileira do aço se prepara para crescer quase 30% em 2010. Agricultura, construção civil e investimentos em infraestrutura deverão puxar a retomada
Ricardo Lacerda
Como diz o velho ditado, "depois da tempestade, a bonança". A indústria brasileira do aço, que amargou um tombo de 21,4% em 2009 se prepara para uma guinada em 2010. A julgar pelo desempenho dos últimos meses, José Antonio Fernandes Martins, presidente da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS), estima um crescimento de até 28% no setor para este ano. "As perspectivas de recuperação em 2010 são muito boas e, provavelmente, teremos um ano semelhante ou até melhor que 2008, que já foi recorde", diz Martins.
Ao destacar que não existe, ainda, uma retomada mundial, Martins apontou China e Índia - ao lado do Brasil - como destaques globais no setor. "O estrago que a crise fez não se conserta assim, de uma hora para outra", afirmou. Segundo Martins, a queda na produção brasileira de aço em 2009 só não foi maior porque o governo adotou medidas eficazes de incentivo à economia. Entre elas, a liberação de maior crédito por parte dos bancos públicos, o aumento nos prazos de financiamentos e a cobrança de juros menores. "Todo mundo começou a refazer cálculos e voltar a comprar", observou.
Pesou a favor da indústria do aço o IPI zero para automóveis, os incentivos à construção civil e o bom desempenho do setor agrícola. "Na verdade, o setor automotivo foi atingido, sim, mas não os automóveis. O segmento de transporte de passageiros e implementos rodoviários, por exemplo, caiu 24% no ano", afirma Martins - que é vice-presidente da Marcopolo.
Em um ano de plena recuperação, em que se prevê crescimento da ordem de 6% para o PIB brasileiro, Martins aponta como molas propulsoras da economia a indústria de bens de capital, a construção civil e os aportes em infraestrutura. Em função do natural aumento da demanda, é bem provável que as usinas siderúrgicas pressionem por reajustes nos preços do aço - mesmo que países como China e Ucrânia ofereçam preços até 30% mais baixos.
Apesar de elogiar a atuação do governo federal na contenção da crise, o líder setorial criticou a passividade de se fazer uma reforma tributária: "Mostrei ao ministro Miguel Jorge [do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior] que produzir um ônibus na Índia custa 18% mais barato do que aqui. Um ônibus igual, com a mesma matéria-prima", afirmou. Segundo ele, a carga tributária na China e na Índia oscila entre 17% e 19%. No Brasil, o número salta para 38%. Martins disse, ainda, que muita gente reclama que o dólar não está favorável aos exportadores brasileiros, "mas não se dão conta que o maior dos vilões é a carga tributária astronômica".
Fonte: Redação de Amanhã
Seção: Siderurgia
Publicação: 27/01/2010
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